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Pesquisa analisa biomas para estudo de rastreabilidade

Objetivo é identificar características distintivas entre as áreas e ampliar o conhecimento sobre origem de produtos agropecuários dessas regiões

17/08/26

Uma pesquisa sediada no Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP) está utilizando técnicas analíticas para estudar e caracterizar produtos agropecuários produzidos nos biomas brasileiros. A iniciativa ocorre em parceria com pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP e da Embrapa. No projeto, serão cruzados dados e resultados obtidos a partir da identificação e da análise de diferentes elementos químicos presentes nas amostras dos produtos, analisadas em laboratório.

Esse conjunto de elementos químicos cria a “impressão química” de cada bioma, uma vez que eles se diferenciam por diversos fatores, como clima, vegetação, geografia e fauna, dizem os pesquisadores. Com isso, eles pretendem demonstrar que produtos de diferentes biomas apresentam propriedades próprias, permitindo a rastreabilidade por meio da avaliação de sua autenticidade.

Segundo o pesquisador Luiz Antonio Martinelli, do Laboratório de Ecologia Isotópica do Cena/USP, cada bioma apresenta uma espécie de “assinatura” que o caracteriza. Isso ocorre porque a composição isotópica de plantas e animais reflete as características do ambiente em que esses organismos vivem, fazendo com que cada bioma brasileiro apresente um conjunto particular de sinais isotópicos.

“O clima, em conjunto com os atributos pedológicos e topográficos, atua como um conjunto de filtros que determina quais espécies, sejam elas animais ou vegetais, terão condições competitivas para colonizar aquele ambiente”, explica Martinelli.

Assinatura dos ecossistemas


Uma das principais tarefas dos pesquisadores é identificar vestígios de assinaturas químicas em diferentes materiais, como carne bovina, madeira e soja, capazes de revelar informações sobre sua origem. Os dados obtidos por meio do uso de distintas técnicas analíticas sobre variados elementos químicos presentes em uma única amostra são fundamentais para determinar a rastreabilidade desses produtos.

O pesquisador Paulo Sergio Cardoso da Silva, do Ipen, explica que a composição química e a relação entre os diferentes elementos presentes em uma amostra permitem identificar de qual bioma vem determinada carne, soja ou espécie madeireira. No caso da carne bovina, por exemplo, o pesquisador destaca que a água consumida pelo animal também exerce um papel importante nas análises isotópicas.

“Então, o próprio pasto e a água, principalmente, vão trazer informações das assinaturas daquela região”, afirma Silva.

Os pesquisadores acreditam que a pesquisa pode mudar a forma como se consomem determinados alimentos ao ampliar a preocupação com sua procedência e com a relação que mantêm com os biomas brasileiros.

Segundo Martinelli, compreender as características de cada bioma é fundamental para desenvolver modelos confiáveis de rastreabilidade. “A caracterização de um bioma, principalmente de seus atributos climáticos, pedológicos e geológicos, bem como do tipo de vegetação, exerce influência direta sobre a composição isotópica e elementar dos produtos florestais”, afirma o pesquisador. "Portanto, um modelo de rastreabilidade somente se torna robusto quando utiliza uma série de covariáveis ambientais características de cada bioma brasileiro."


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