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Novos padrões de segurança

Impactos diretos da influenza aviária na produção e comercialização de produtos avícolas impõem novos padrões de segurança. Entenda os processos de biosseguridade em matrizes pesadas neste contexto.

28/07/26

A biosseguridade é um sistema estratégico, contínuo e rigorosamente aplicado de medidas preventivas destinadas a impedir a entrada e disseminação de agentes patogênicos nos plantéis, garantindo a saúde animal, a segurança alimentar e a viabilidade econômica da produção.

Quem explica este tema são os consultores técnicos da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (FACTA), Dino Garcez e Luciano Keske.

Eles apontam que esse sistema se sustenta em três pilares básicos: prevenção da entrada de agentes, com controle de acesso de pessoas, veículos e fômites; controle da disseminação, com o sistema all in/all out, manejo adequado, higienização constante e fluxo unidirecional do trabalho de acordo com a idade do lote e programas sanitários, com limpeza e desinfecção, vacinação, vigilância sanitária e rastreabilidade.

Para que seja efetiva, é necessário que haja uma cultura operacional que exija padronização de processos, conscientização e disciplina. "Quando bem aplicada, além de reduzir o risco de entrada de doenças, melhora o desempenho produtivo e fortalece a sustentabilidade do negócio", destaca Dino Garcez.

Ele destaca que, recentemente, a influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP), que é uma doença de notificação obrigatória, deixou de ser um risco pontual na América Latina e passou a representar um risco iminente, com impactos diretos na produção e comercialização dos produtos avícolas, principalmente no mercado externo.

 

Situação atual da IAAP

Desde 2022, a América Latina e o Caribe já registraram milhares de surtos (cerca de 2,5 mil), afetando aves silvestres, de subsistência e comerciais. Entre 2025 e o início de 2026, o vírus foi detectado em 94 espécies de aves em 11 países e territórios das Américas.

"... na América do Sul, houve uma mudança de padrão epidemiológico do vírus, com aumento da incidência em aves de subsistência, indicando que o mesmo está presente de maneira fixa e sua disseminação já não depende exclusivamente de rotas migratórias de aves silvestres", diz.

Dados do primeiro trimestre de 2026 demonstram uma circulação ativa em vários países da região, como, por exemplo, na Argentina, onde foram detectados três focos em matrizes pesadas.

Já no caso do Brasil, embora a maioria dos casos tenha ocorrido em aves silvestres, há diversos registros em aves de subsistência e um caso também em matrizes pesadas que foi reportado. Assim, esses novos focos aumentaram o alerta de risco para toda a região.

Para reduzir o risco de infecção por IAAP em matrizes pesadas, os pontos críticos não são apenas "boas práticas genéricas" — eles formam um sistema de barreiras interdependentes. Se uma falha, o sistema inteiro fica vulnerável, de maneira similar a uma corrente e seus elos, os quais podem ser classificados como estruturais e procedimentos operacionais.

"A biosseguridade em matrizes pesadas, no contexto da IAAP, é um requisito essencial para a sustentabilidade da atividade. Neste novo cenário, fica claro que não estamos mais lidando com eventos isolados, mas com um risco iminente e dinâmico, sustentado principalmente pela interface entre aves silvestres, de subsistência e produção comercial. Isso muda completamente a lógica: não se trata mais de 'evitar um surto eventual'", destacou Keske. Porém, segundo ele, de operar continuamente sob alto risco sanitário.

"Assim, os pontos críticos estruturais e operacionais convergem para uma mesma ideia central: a biosseguridade só funciona quando aplicada de forma consistente e integrada. Estruturas adequadas criam o ambiente de proteção, mas são os procedimentos que garantem a proteção efetiva. Na prática, a maioria das falhas não está relacionada à falta de estrutura ou tecnologia, mas em quebras de rotina, excesso de confiança e/ou relaxamento de protocolos. Por fim, a biosseguridade deve ser vista continuamente e revisada como um sistema de gestão de riscos e não como um conjunto de medidas isoladas", finalizou.

- Luciano Keske e Dino Garcez, consultores técnicos da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (FACTA).

 

Como uma corrente

Se há uma falha em algum elo, seja ele estrutural ou de procedimentos operacionais, o sistema inteiro fica vulnerável.

Etapas da corrente:

  • Isolamento
  • Controle de tráfego
  • Higienização
  • Quarentena, medicação e vacinação
  • Auditoria
  • Monitoramento e comunicação
  • Plano de contingência

 

Componentes da biosseguridade

Luciano Keske destacou os principais componentes estruturais para um eficiente processo de biosseguridade.

  • Localização e isolamento da granja

Ausência de fontes de água (açudes e mananciais) que possam abrigar animais silvestres nas proximidades da granja.

  • Infraestrutura dos galpões

Corredores "sanitários" interligando os galpões do núcleo evitam o contato com a área externa dos aviários (foto abaixo).

  • Sistemas de distribuição de água e ração protegidos

Impede o acesso de aves, roedores e outros animais que são potenciais fontes de infecção.

  • Separação por zonas

Existência de estrada "suja" para descarte de aves mortas e cama aviária.

 

Principais procedimentos

1. Treinamento das equipes
Visa a capacitação de novos funcionários, bem como reciclagem do conhecimento.

2. Controle do fluxo de veículos
Veículos equipados com GPS (Global Positioning System) fornecem a sua localização exata, o que favorece a rápida comunicação e aplicação de medidas de controle em casos de surtos de doenças.

3. Controle de acesso de pessoas
Vazio sanitário mínimo de 72 horas para o ingresso ao núcleo, troca de roupas e calçados. Além disso, atualmente já estão disponíveis comercialmente sistemas de monitoramento em tempo real (ex.: bota equipada com chip eletrônico).

 

Fonte: Revista Feed&Food


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