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Bem-estar animal avança como pilar da sustentabilidade no agro
O médico-veterinário Filipi Dalla Costa, da MSD Saúde Animal, analisa a evolução do bem-estar animal nos sistemas produtivos, sua relação com pessoas, sustentabilidade, segurança do trabalho e qualidade dos alimentos no agronegócio brasileiro.
27/01/26
O bem-estar animal deixou de ser um conceito periférico para ocupar posição central nos sistemas modernos de produção. Segundo o médico-veterinário Filipi Dalla Costa, mestre e doutor na área e coordenador técnico de bem-estar animal na MSD Saúde Animal, essa evolução ocorreu a partir da incorporação de bases científicas, métricas objetivas e integração com fatores humanos e ambientais.
“O conceito moderno de bem-estar animal corresponde ao estado do indivíduo frente às adequações ao meio”, explicou. Esse entendimento, adotado pela Organização Mundial de Saúde dos Animais, permite mensurar níveis de bem-estar de forma quantitativa e qualitativa, variando de muito ruim a muito bom, conforme as condições oferecidas ao animal.
A avaliação se apoia na teoria dos cinco domínios, que considera alimentação, ambiência, saúde e comportamento como fatores interligados para alcançar o bem-estar físico e mental. Dalla Costa detalhou que uma boa alimentação envolve água e dieta em quantidade e qualidade adequadas, sem disputa entre os animais, enquanto a ambiência inclui controle de temperatura, umidade, ventilação, qualidade do piso e do ar.
Na área da saúde, a evolução tecnológica reduziu práticas invasivas e aumentou a eficiência do manejo sanitário. “Hoje já utilizamos dispositivos sem agulha, que reduzem estresse e melhoram a performance dos animais”, afirmou. O comportamento também integra a avaliação, por meio do enriquecimento ambiental e da possibilidade de expressão de comportamentos naturais.
Para o especialista, o bem-estar animal está diretamente conectado ao bem-estar das pessoas envolvidas na produção. Ele destacou que o manejo agressivo eleva o estresse, tanto dos animais quanto dos trabalhadores, aumentando riscos de acidentes e perdas produtivas. “Passamos de um modelo baseado na força para um manejo baseado em técnica e entendimento do comportamento animal”, disse.
A relação humano-animal influencia indicadores sanitários e produtivos. Em experiências conduzidas pela MSD Saúde Animal, a aclimatação dos animais e o manejo menos estressante permitiram identificar sinais precoces de doenças, reduzindo mortalidade e melhorando a eficiência dos tratamentos. “Quando o animal não vê o humano como uma ameaça, ele expressa melhor os sinais clínicos”, explicou.
Esse conjunto de práticas se insere no conceito de One Welfare, ou bem-estar único, que integra animais, pessoas e sustentabilidade. De acordo com Dalla Costa, “sem bem-estar das pessoas, não há como exigir bom cuidado com os animais, e sem isso não há sustentabilidade do sistema”.
Indicadores desse modelo podem ser mensurados em diferentes frentes, como eficiência alimentar, uso de água, conforto térmico, incidência de doenças, consumo de medicamentos, capacitação de equipes e segurança ocupacional. Na sustentabilidade, entram fatores como uso racional de recursos naturais, manejo de resíduos e eficiência produtiva.
O impacto do bem-estar animal também se reflete na qualidade dos alimentos. O especialista explicou que o estresse pré-abate altera o metabolismo muscular, comprometendo a transformação do músculo em carne. “O manejo inadequado pode resultar em carnes com problemas de qualidade, como DFD ou PSE, que geram perdas econômicas ao longo da cadeia”, afirmou.
Na ponta final, o consumidor exerce papel determinante. Pesquisas citadas por Dalla Costa indicam crescente interesse por transparência, rastreabilidade e práticas responsáveis na produção de proteína animal. “O consumidor quer saber de onde veio o alimento e como foi produzido”, destacou, apontando o bem-estar animal como fator relevante na decisão de compra.
Para ampliar a adoção do bem-estar único no Brasil, o especialista vê a conscientização como caminho central. “Os benefícios são claros para os animais, para as pessoas e para a sociedade. Esse entendimento vem avançando e tende a se expandir cada vez mais”, concluiu.
FONTE: Agroeprosa.tv
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