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A FAO age para evitar uma crise mais ampla de gado à medida que nova ameaça de febre aftosa chega à Ásia

Notificações oficiais na China e na Mongólia, em abril e maio de 2026, respectivamente, confirmaram a disseminação de um novo sorotipo do vírus da febre aftosa no Leste Asiático. Conforme informe divulgado pela FAO, Sul e Sudeste do continente estão em alerta máximo, pois o novo vírus apresenta um desafio maior, já que as populações de gado suscetíveis em ambas as regiões não possuem imunidade a ele. Vacinas comumente usadas para prevenção e controle da febre aftosa na região não são adequadas para combater o novo sorotipo, conhecido como SAT1.

18/06/26


A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) está fornecendo apoio de preparação para emergências para ajudar países do Sul e Sudeste Asiático a enfrentar a ameaça. O Programa de Cooperação Técnica da FAO aportará US$ 400 mil para auxiliar Camboja, Indonésia, República Democrática Popular do Laos, Paquistão, Filipinas, Tailândia e Vietnã com alerta precoce, vigilância baseada em risco e diagnóstico laboratorial rápido para o novo sorotipo de de febre aftosa. Orientações e informações geradas pela iniciativa serão compartilhadas de forma mais ampla com países da região da Ásia e Pacífico.

"A detecção precoce e o diagnóstico rápido são essenciais, mas os países também precisam de uma visão clara de para onde os animais se movem e onde estão os pontos críticos de alto risco", disse Alue Dohong, Diretora-Geral Assistente da FAO e Representante Regional para a Ásia e o Pacífico. "O vírus pode se espalhar por cadeias de valor do gado, rotas comerciais, pontos de fronteira e mercados antes que um surto seja confirmado. A FAO está ajudando os Estados-Membros a fechar essa lacuna por meio de vigilância, laboratório e comunicação de riscos para agricultores, comerciantes, profissionais de saúde animal e comunidade local."

A febre aftosa é uma doença viral que afeta animais de cascos fendidos, incluindo gado, ovelhas, cabras, porcos e búfalos, que pode atravessar rapidamente fronteiras e colocar em risco meios de subsistência rurais. Existem sete sorotipos de aftosa globalmente. Embora causem doenças e infecções semelhantes, a imunidade a um sorotipo não protege os animais contra outro. Os sorotipos O, A e Asia 1 já circulam pelo Sul e Sudeste Asiático. Desde o início de 2025, o SAT1 expandiu-se além de sua área histórica na África Subsaariana, espalhando-se pelo Oriente Próximo e pelo Cáucaso.

Preparação antes de uma maior disseminação

O sorotipo SAT1 poderia testar os sistemas pecuários e as cadeias de valor da região em vários pontos fracos. No Sul e Sudeste Asiático, os animais frequentemente se deslocam de pequenas fazendas para comerciantes e mercados de animais vivos antes de chegar aos pontos de abate ou cruzar fronteiras. Essas redes apoiam o fornecimento de alimentos e a renda rural, porém também podem transmitir doenças antes que um surto seja detectado. Em sistemas de pequenos produtores, muitas famílias mantêm animais grandes e pequenos próximos de casa, e os protocolos de biossegurança podem variar bastante.

Uma rápida avaliação de impacto econômico realizada pela FAO estimou perdas anuais de produção regional em cerca de US$ 5 a US$ 6 bilhões sob um cenário mediano de surto. Isso não inclui interrupções comerciais, choques de mercado, perdas de valor de rebanho ou custos de resposta. Economias menores dependentes de pecuária podem ser as mais afetadas em relação ao seu tamanho, com perdas estimadas entre 0,5 e 1% do produto interno bruto em alguns contextos. Para famílias rurais, um surto grave pode significar perda de leite, animais não vendidos e mercados que fecham quando a renda é mais necessária.

O apoio emergencial da FAO ajudará os países a identificar os pontos críticos de risco e as rotas de entrada e disseminação. Também apoiará a denúncia antecipada em ambientes de alto risco, como áreas fronteiriças e mercados de animais vivos. A primeira sessão virtual de treinamento será realizada em 24 de junho para começar a identificar as rotas e fontes mais prováveis para a introdução do SAT1 e para informar o planejamento imediato e as medidas de mitigação de riscos.

O apoio laboratorial aos países alvo incluirá treinamento e suprimentos de diagnóstico emergencial para caracterização viral. Laboratórios de referência nacionais e regionais também estarão conectados à rede global de laboratórios de referência para sequenciamento, análise filogenética e correspondência de vacinas.

A FAO também apoia o compartilhamento de informações e a comunicação de riscos por meio de redes regionais estabelecidas. Em coordenação com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a FAO convocará uma sessão especial do Grupo Regional de Especialistas sobre febre aftosa ainda em junho para melhorar a detecção e vigilância do SAT1 e preparar a resposta rápida laboratorial.


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